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James Bond: A adulteração não é o caminho

Recentemente a Equipe do informativo O Leitor (EOL), emitiu uma nota pública sobre uma decisão do grupo editorial responsável pelas obras de Roald Dahl, de alterarem algumas expressões e palavras das obras originais deste autor, sob o argumento de retirar termos e expressões que hoje "seriam" preconceituosas.


A nota em questão emitiu o juízo deste informativo, de completa discordância quanto a decisão de adulteração (mesmo que mínima) de qualquer obra de relevância mundial sob pretextos duvidosos, envoltos em pressões ideológicas e políticas.


Alguns dias depois, a imprensa noticia a decisão de outro grupo editorial em ousar reescrever obras de autor consagrado, este pelo personagem fictício conhecido pelo mundo todo. Falo das obras de Ian Fleming, autor das aventuras de James Bond, espião do serviço secreto inglês. Conforme matéria da revista Veja, de 27 de fevereiro de 2023, "os livros de James Bond serão reeditados para remoção de referências raciais ofensivas contra negros..." (https://veja.abril.com.br/cultura/livros-de-james-bond-removem-preconceito-de-novas-edicoes-com-ressalvas/). Entendemos que o racismo enquanto seletividade grotesca e marginalização existe e é real em muitos lugares do mundo. Mas nós, do informativo O Leitor, não acreditamos que a adulteração de obras clássicas e de valor literário já reconhecido, seja uma ferramenta válida para uma suposta luta contra a discriminação.


Dentre muitas análises sobre estes casos (Lobato, Dahl e Fleming), parece claro que a literatura deve sempre permanecer como o escritor a pensou, assim como o livro mais cruel e de práticas perversas não poderia ser proibido institucionalmente em vista de suposta "pureza" social nos costumes. A questão reside em como o mal e suas variadas formas é apresentado e interpretado ao leitor e pelo leitor.


Como Diretor Geral deste informativo, associando-me a toda a EOL, repudio qualquer forma de adulteração de escritos célebres na literatura.


Valderi da Silva

Diretor

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